Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

OLHAR TRISTE NAS RUAS DA NOSSA CIDADE



Esta manhã li algo parecido com a história que vos escrevo a seguir, e pensei em tantos exemplos de pessoas que andam vivendo momentos tão difíceis em Portugal.


"Nunca subestime o poder das suas acções. Com um pequeno gesto pode mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior."
(Autor Desconhecido)



O Homem Triste

Passas-te por mim com simpatia, mas quando viste os meus olhos parados perguntas-te em silêncio, porque vagueio pelas ruas.

Talvez por isso apressas-te o passo, e ainda que eu quisesse chamar-te, a palavra desfaleceu na boca.

É possível que penses que eu desisti do trabalho, que sou preguiçoso, “malandro”, no entanto ainda hoje bati de porta em porta , mas em vão; apesar de ser altamente qualificado na minha área de trabalho.

Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar o pão, como se a idade do corpo fosse condenação à inutilidade.

Outros, desconhecendo o facto de ter penhorado a minha melhor roupa para aliviar a minha esposa com um esgotamento nervoso, escorraçaram-me apressados, pensando que eu fosse mais um vagabundo sem profissão.

Não sei se notas-te quando um polícia me arrancou da frente da montra, a gritar palavras duras, como se eu fosse um vulgar ladrão. Contudo, acredita, nem me passou pela mente a ideia de furto.

Apenas admirava os bolos expostos, antecipando a minha chegada a casa, quando os meus filhos me abraçarem com fome.

Talvez tenhas observado as pessoas que me “gozavam”, olhando para mim como se fosse um bêbado, porque eu tremia, apoiado no poste.

Afastaram-se todos, com manifesto desprezo, mas não tive coragem de explicar-lhe que não comia há três dias.

Mas, TU que me olhaste sem medo, rogo, ((engolindo o meu velho orgulho)), apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me ofereces. Olhas para mim... sinto esse amor desinteressado. Vejo em ti, não aqueles políticos e religiosos, hipócritas, mas aquele cristão verdadeiro segundo o amor de Cristo.

Que se dispõem a dar-me do seu tempo com uma atenção, de tal forma transparente e verdadeira, fazendo-me sentir de novo “gente.

Obrigado por me restituíres a esperança, para que eu possa honrar com alegria o dom de viver.
Para isso, basta que se aproximes de mim sem asco, para que eu saiba apesar de todo meu infortúnio que ainda sou teu irmão.


Esta é a mensagem dos homens e mulheres, como tantos que caminham pelas ruas, com um semblante triste - Se não os pudermos ajudar, pelo menos não os menosprezemos, tornando ainda mais pesado o seu fardo.

No meio destes dias de crise, vamos olhar nos olhos aqueles que precisam de uma mão amiga.

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publicado por Pjsoueu às 10:57
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