Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

"O PAPALAGUI - " Homem mais Civilizado?





Quando estive a visitar a Marta e o Tito, conversámos sobre tudo e nada; o "desporto" que dá saúde às amizades, fortalecendo-as na medida da qualidade dos exercícios praticados, nesse saudável "bate papo".

Em dado momento o Tito perguntou-me se já tinha lido o livro " O PAPALAGUI", respondi que não, ele de imediato, como é seu timbre, prontificou-se a emprestar-me. O pequeno livro é uma pérola, pela ingenuidade sábia de quem proferiu os discursos apresentados no manuscrito referido.

Permitam que transcreva o primeiro parágrafo da introdução, como nota explicativa do significado da obra:

O "Papalagui" - ou seja o Branco, o Senhor- é este o nome dado aos europeus nos discursos do chefe de tribo Tuiavii de Tiavéia, nos mares do sul.
Através do olhar deste chefe indígena, da longínqua ilhota de Upolu, pertencente ao grupo de Samoa, Polinésia, descobrimos a nossa própria imagem, com uma simplicidade que nós Europeus já perdemos.


Entre os diversos capítulos, quero referir alguns excertos. Dizia o Chefe Tuiavii:

"Como vivem obcecados pelo medo de perderem o seu tempo, todos os
Papalaguis - sejam homens, mulheres ou crianças - sabem com exactidão quantas vezes nasceu o sol e a lua desde que viram pela primeira vez a luz do dia. Este acontecimento é considerado tão importante que o celebram, a intervalos de tempos fixos e regulares, com flores e grandes festas.


Ter uma idade, quer dizer: ter vivido um determinado numero de luas. Isto de se perguntar qual o numero de luas, apresenta grandes perigos, pois assim se acabou por determinar quantas luas dura em geral a vida dos homens. Ora acontece que cada um, sempre muito atento a isso, passadas que foram inúmeras luas, dirá: "Pronto! não tarda muito que eu não morra!" Nada mais lhe causa alegria e, de facto, acaba por morrer daí a pouco tempo.


O tempo é calma, paz e sossego, gosta de nos ver descansar. O Papalagui não percebeu o que o tempo é. É por isso que o maltrata, com seus modos rudes.


Oh meus queridos irmãos! Nós nunca nos queixámos do tempo, amámo-lo e acolhemo-lo tal como ele é, nunca corremos atrás dele, nunca tentámos fechá-lo ou cortá-lo em pedaços. Nunca o tempo nos deixou desesperados ou acabrunhados. Não precisamos de mais tempo do que o que temos, temos sempre tempo suficiente.


Sabemos que atingiremos o nosso alvo a tempo. e que muito embora ignoremos quantas luas se passaram. o Grande Espírito nos chamará quando lhe aprouver.


Devemos curar o Papalagui da sua loucura e desvario, para que ele volte a ter a noção do verdadeiro tempo que tem perdido. Devemos destruir as suas pequenas máquinas do tempo e levá-lo a confessar que há muito mais tempo do nascer ao pôr-do-sol do que ao homem lhe é dado gastar."

Ao ler a definição "Ter Tempo" com uma simplicidade tão inocente e sábia, faz-me pensar, se afinal, estamos a viver (usar) o tempo que graciosamente nos é dado, da melhor forma, dando às pessoas que amamos o tempo de qualidade necessária ou andamos tão preocupados com tantas coisas inúteis que só nos trazem infelicidade!??

No texto Bíblico do livro de Provérbios do rei Salomão, está escrito:


-" TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de derrubar, e tempo de edificar.


Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.


Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.


Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim. Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus."


Perante tudo isto, será que estamos usando o tempo, no tempo determinado, que seja de construir, pontes, entre os homens e mulheres do nosso tempo, não esquecendo a nossa família?

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publicado por Pjsoueu às 10:43
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7 comentários:
De ternura a 7 de Maio de 2008 às 18:07
já hoje li e comentei sobre o tempo, o nosso tempo, o tempo dos outros, num outro blogue.
cada um vive o tempo à sua maneira muito embora , por vezes, tenha a consciência que não o está a aproveitar da melhor forma.
No meu caso em concreto, relembro o passado, pois faz parte das minhas memórias, vivo o presente, o dia de hoje de uma forma absolutamente normal e sem pensar que seja o último e quanto ao futuro, o mesmo é uma grande incógnita, digo até que a Deus pertence.
Quanto às pontes, canto Abrunhosa dizendo: " que nunca caiam as pontes entre nós".
Beijinho e agradecida pela visita ao meu blogue.


De Coragem a 7 de Maio de 2008 às 22:17
Pois parece que nos "encontrámos" em sintonia, o tempo, o valor dele, o que resta, tento fazer o meu melhor, às vezes não depende só de nós, tal como um condutor na estrada.
A vida é feita de pedaços, há que saber uni-los em perfeita harmonia, para que o tempo hoje vivido seja a semente, que amanhã iremos colher.
Beijito compadre


De Pjsoueu a 7 de Maio de 2008 às 22:56
Ternura: obrigado, gosto da tua presença neste meu espaço, onde demonstras como a vivência simples dia a dia pode perfeitamente condicionar positivamente o futuro.


De Pjsoueu a 7 de Maio de 2008 às 22:59
Querida amiga Coragem:
Os corações sintonizam a verdade da vida. A vida é como tu dizes, um aglomerado de situações que quando bem ordenadas podem ser a semente para um melhor futuro, apesar das dificuldades inerentes ao ser humano.
Beijo de muita estima e consideração para minha comadre...


De Tito a 11 de Maio de 2008 às 23:15
Meu querido e estimado amigo. Saluto tua profundidade a acuidade para a reflexão. Gostaria de registar aqui algo que inúmeras vezes compartilho com a Marta. A saber; é um enorme prazer conversar contigo e trocar reflexões sejam elas sábias ou menos sábias.
Espero que o livro continue a encantar-te.
Um abraço forte


De XICA a 16 de Maio de 2008 às 23:56
Uma verdadeira pérola, sim senhor, foi um dos livros que, para além do riso natural que nos provoca, põe a nu todos nós de uma forma,que nos apetece esconder. E o certo é que passamos a olhar tudo de uma forma diferente.


De Pjsoueu a 17 de Maio de 2008 às 19:31
Amável Xica:
- è como diz, ao ler o papalagui é como olhar para dentro de nós e sentir como fazemos tantas coisas inúteis perante o valor de coisas bem mais importantes e simples:)
bjs


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